24 mar Rachaduras no bico do seio: Lesões mamilares
As intercorrências mamárias são as principais causas de desmame precoce por causa da dor, e quando não tratadas a tempo, levam a quadros severos de mastites, abscessos mamários e até mesmo septicemia. No início do aleitamento materno, a maioria das mulheres sente uma discreta dor ou desconforto no início das mamadas, o que pode ser considerado normal. No entanto, mamilos muito doloridos e machucados, apesar de muito comuns, não são normais. Os traumas mamilares incluem vermelhidão, inchaço, fissuras/rachaduras, bolhas, marcas brancas, amarelas ou escuras e hematomas.
A causa mais comum de dor para amamentar se deve a traumas mamilares por posicionamento e pega inadequados. Pelo seu caráter emergencial, estas complicações costumam ser atendidas nos serviços de Pronto Socorro ou nos Bancos de Leite Humano. Os profissionais de saúde têm um papel importante na prevenção e no manejo dessas dificuldades. No post anterior, abordamos os cuidados com os seios e a prevenção dos traumas, a seguir são abordadas as principais causas das rachaduras, feridas nos mamilos e aréola e os respectivos tratamentos.
Causas:
– Pega inadequada: quando a criança mama somente o mamilo e não toda ou maior parte da aréola
– Sucção não nutritiva prolongada (chupetar em excesso)
– Higiene frequente dos mamilos com água, sabão, álcool ou qualquer produto secante: há remoção da barreira de proteção da região mamilo-areolar
– Uso de cremes, óleos, pomadas e/ou medicamentos: pode causar reações alérgicas ou deixar a pele muito fina e, devido à necessidade de serem removidos antes de cada mamada, tornam a região mamilo-areolar mais sensível e predisposta a lesões
– Ingurgitamento mamário, peito muito cheio, tornando a mamada difícil
– Mamilos curtos, pouco protrusos ou invertidos
– Disfunções orais na criança, freio de língua excessivamente curto
– Uso impróprio ou uso incorreto de bomba de extração de leite
– Uso de protetores de mamilo e conchas (esses dispositivos devem possuir buracos de ventilação, pois inadequada circulação de ar para o mamilo e aréola pode reter umidade e calor, tornando o tecido mais vulnerável a macerações e infecções)
– Exposição prolongada a forros úmidos, sutiã com costura, conchas e absorventes
– Interrupção inadequada da sucção da criança
– Desconhecimento da mulher em relação aos procedimentos preventivos
Como tratar rachaduras:
Uma vez instalados, traumas mamilares são extremamente dolorosos e com frequência são a porta de entrada para bactérias. Por isso, além de corrigir o problema que está causando a dor mamilar, faz-se necessário intervir para aliviar a dor e promover a cicatrização das lesões o mais rápido possível.
Em primeiro lugar, procure ajuda de um profissional de saúde. Amamentar não deve doer. É importante que a mãe continue a amamentar, corrigindo possíveis problemas de “pega” e posição. Fazendo essas correções, a dor desaparece.
Pode-se sugerir as seguintes medidas de conforto, que visam minimizar o estímulo aos receptores da dor localizados na derme do mamilo e da aréola:
– Posicionamento adequado e pega correta, ensinar o bebê a abrir bem a boca na hora de abocanhar e mamar é o mais importante para prevenir dor e evitar as rachaduras
– Colocar o dedinho no canto da boca do bebê para soltar o vácuo e assim retirar do peito
– Início da mamada pela mama menos afetada
– Ordenhar um pouco de leite antes da mamada, o suficiente para desencadear o reflexo de ejeção de leite, evitando dessa maneira que a criança tenha que sugar muito forte no início da mamada
– Uso de diferentes posições para amamentar, reduzindo a pressão nos pontos dolorosos ou áreas machucadas
– Não deixar de mamar ou limitar a duração das mamadas, essa limitação pode causar regurgitamento mamário ou empedramento
– Se a lesão mamilar é muito extensa ou a mãe não está conseguindo amamentar por causa da dor, pode ser necessário interromper temporariamente a amamentação na mama afetada; no entanto, a mama deve ser esvaziada por ordenha manual ou com bomba de extração de leite. Oferecer o leite no copinho ou colher, até que haja cicatrização (dois a três dias). Retomar a amamentação gradativamente
– Não lavar os mamilos após as mamadas, mantenha a higiene dos seios apenas com água no banho para manter a lubrificação natural. Evite esfregar ou massagear os mamilos
– Passar o próprio leite depois das mamadas, limpa e protege a aréola, possui ações cicatrizantes e anti-inflamatórias.
– Aplicar compressa fria no intervalo das mamadas pode diminuir a dor e o edema. Importante: o tempo de aplicação das compressas frias não deve ultrapassar 20 minutos devido ao efeito rebote, ou seja, um aumento de fluxo sanguíneo para compensar a redução da temperatura local. As compressas frias provocam vasoconstrição temporária pela hipotermia, o que leva à redução do fluxo sanguíneo, com consequente redução do edema, aumento da drenagem linfática e menor produção do leite, devida à redução da oferta de substratos necessários à produção do leite
– Cremes, óleos em geral, antissépticos, saquinho de chá ou outras substâncias tópicas devem ser evitados, pois não há comprovação de que sejam eficientes, podendo inclusive ser prejudiciais
– Havendo suspeita de infecção é necessário uso de antibiótico sempre com prescrição médica
– Tomar banho de sol antes das 10hs e após as 16hs, facilita a cicatrização
– Não retirar o bebê do peito antes do término da mamada: puxar bruscamente o bebê do peito pode traumatizar o mamilo quando a mãe necessita interromper a mamada. Como proceder: interpor o dedo mínimo por entre os maxilares no canto da boca da criança para desfazer a pressão
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